Não consigo precisar quando comecei… mas o meu filho com pouco mais de um ano já tinha bastante domínio sobre a máquina fotográfica, o que me leva a crer que devo ter começado também por essa altura.
Recordo-me de sempre ser incentivado pelos meus pais a fotografar e, curiosamente, muitas dessas “fotos de família” partilham traços em comum com o meu atual trabalho na área dos autorretratos. O guarda-roupa cuidadosamente preparado, as expressões e os adereços, fazem a ponte entre os retratos de família da minha infância e os que atualmente crio.
A máquina havia-se tornado então num objecto familiar, capaz não só de registar o meu crescimento, mas também as viagens, os eventos e tudo o que nos rodeava. Assim continuou até aos 14 anos, a paixão e a necessidade de compreender o que se escondia por detrás do botão da máquina fotográfica levou-me à entrada para o Clube de Fotografia da Escola que frequentava (Escola Conde de Oeiras). Foi aí que, pela mão do Professor Pedro Morais, todas as tardes nos juntávamos para aprender um pouco mais e revelar as chapas saídas das caixas de sapato e latas de achocolatado que tínhamos batido durante os intervalos da manhã.
Eram tardes sempre curtas, mas sempre bastante produtivas. Aprendi não só a dominar a luz e a compreender o triângulo da exposição, mas acima de tudo a perceber e a Amar a fotografia.
Fruto disso, ainda hoje cultivo o prazer pelos métodos mais rudimentares de captação de imagem e, sempre que o tempo me permite, recordo com emoção os tempos passados no Clube de Fotografia que facilmente me chegam à memória na minha própria casa de banho, através da luz vermelha e do cheiro que caracteriza a revelação.
A paixão continuava a crescer e, na constante necessidade de evolução, o meu pai adquiriu na Rússia, pelo meu aniversário, uma “Zenit ET”. Máquina essa que viria finalmente a substituir a já antiga “Praktica BMS”, permitindo agora um controlo completamente manual da exposição.
Após a conclusão do Ensino Secundário, a paixão manteve-se, mas os custos da fotografia fora do Clube eram incomportáveis e vi-me forçado a seguir outros caminhos. Na verdade nunca abandonei a fotografia e fui sempre alimentando essa paixão com a pesquisa e constante descoberta de novos artistas e novos trabalhos.
Nunca perdi a esperança de me dedicar por completo à fotografia e em 2006, graças à massificação da fotografia digital, adquiri a minha primeira DSLR, uma Canon 350D.
A adaptação foi bastante fácil, mas a grande paixão pela fotografia analógica não me abandonou, o que me levou mais tarde, em 2008, à montagem de um pequeno laboratório em casa.
Consegui finalmente realizar outro grande sonho, a fotografia de grande formato e a total autonomia sobre todo o processo analógico.
Atualmente, a vida profissional e pessoal não me reserva espaço para pouco mais do que dormir 8 horas diárias. Ainda assim, continuo empenhado em garantir um tempo extra para preparar, fotografar, editar e acima de tudo apreciar fotografia.
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